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Junta de Freguesia da Madalena - Vila Nova de Gaia

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Limites da freguesia
Francisco Queiroz e Sérgio Rodrigues

A freguesia da Madalena, uma das vinte e quatro terras do Concelho de Gaia, com uma área aproximada de 5,9625 quilómetros quadrados, situa-se na faixa costeira, 3,5 Km a sul da barra do Douro. Assenta nas vertentes do maciço montanhoso longitudinal que provém das Beiras e tem o seu culminar abrupto sobre o rio Douro. A Madalena cobre a fralda sudoeste, em graciosos patamares de altitudes decrescentes, até se espraiar em úberes planícies junto ao mar. Possui uma frente costeira de cerca de 2.000 metros.

A sua cota mais elevada atinge os 100 metros nos lugares do Pinhal Novo, Gândara, Alto das Oliveiras e Maninho, implantados numa plataforma com poucas variações de relevo. Os lugares de Aguim (de cima) e Rego da Água situam-se já a 80 metros de cota. Esta baixa para 60 metros nos lugares da Costa e Vale. Daí decresce abruptamente para os 30 e mesmo 20 metros, dando lugar a uma zona fértil, que se estende até à praia. Aqui se situa o Lugar da Igreja. Nos vales dos ribeiros de Ateães e da Madalena cotas ao nível dos 20 metros penetram até cerca de 2.000 metros para montante. O ponto mais distante do mar encontra-se a 3,4 Km, ligeiramente a nascente do actual Nó de Espinho. Este é, simultaneamente, o ponto mais a leste da freguesia. O ponto mais a sul encontra-se junto à Travessa de Bicheiros e o ponto mais a norte encontrar-se-á em terrenos da antiga Quinta da Portela. Tem como freguesias circunvizinhas:

Canidelo, a norte (Rua do Alto das Chaquedas, Zambueiras, Funcheiros, Campo do Picaroto e Talho de Fora, Urbanização da Quinta da Bela Vista);

Sta. Marinha, a nordeste (Urbanização da Quinta da Bela Vista, Alto das Oliveiras);

Vilar do Paraíso, a leste (antigo caminho para a Rasa e Rua Velha de Lagos, Praceta das Oliveiras, Rua da Gândara, Rua da Bela, Arco do Sameiro);

Valadares a sul e sudeste (Arco do Sameiro, Rua de Sousa Nogueira, Carreira Funda, Travessa de Bicheiros, Alto de Fejacos, Rua Loubet Bravo).

Caracterização Climática
Sérgio Rodrigues

Segundo a tipologia de Koppen, podemos considerar como Csb o clima da área onde se insere a freguesia da Madalena. De facto, esta região apresenta temperaturas médias compreendidas entre os 3ºC e os 22ºC e o mês mais seco recebe menos de um terço da precipitação do mês mais húmido.

A análise de variação da temperatura ao longo do ano demonstra que Janeiro é o mês com temperaturas médias mais baixas, rondando os 8,7ºC, enquanto que Julho apresenta uma média de 19,7ºC, comportando-se como mês mais quente. Deste modo, verifica-se que a amplitude térmica anual é pequena, rondando os 11ºC, facto a que não é alheia a proximidade do Oceano Atlântico.

Apesar deste clima ameno, cuja temperatura média ronda os 14ºC, não significa que não hajam valores extremados de temperatura no que se refere quer às temperaturas mais baixas, quer às mais altas. Assim, as duas estações meteorológicas que possibilitam a análise do clima desta região registam a existência de dias com temperaturas médias inferiores a 0ºC. Estes situam-se, fundamentalmente, nos meses de Dezembro e Janeiro. No que se refere às temperaturas máximas podem, durante os meses de Julho e Agosto, apresentarem valores médios superiores a 30ºC.

A precipitação apresenta valores médios sempre superiores a 1200mm por ano. Os meses mais pluviosos são Dezembro e Janeiro, com valores médios superiores a 170mm por m2, apresentando-se os meses de Julho e Agosto como os mais secos, já que, em média, não é atingido o valor de 50mm por metro quadrado. Um dos factores que maior influência exerce sobre a distribuição da precipitação é, sem dúvida, o relevo. Mesmo nas áreas de baixa altitude, a rugosidade da superfície terrestre provoca turbulências no seio das massas de ar, podendo originar movimentos ascendentes e subsidentes que, conforme as características das referidas massas de ar, podem ou não originar queda pluviométrica. As massas de ar que, nesta área, provocam a pluviosidade vêm quase sempre do Oceano Atlântico. O litoral acaba por funcionar como primeira barreira ao seu deslocamento, modificando a direcção e velocidade destas massas, bem como as suas características térmicas e de humidade, originando, assim, a queda pluviométrica.

Relativamente à frequência dos nevoeiros, verifica-se que o número médio de dias anual em que este fenómeno ocorre é superior a 120, sendo a sua distribuição quase uniforme ao longo de todo o ano, com um ligeiro mínimo nos meses de Maio e Junho e dois máximos, um em Agosto e outro em Dezembro. A origem dos nevoeiros, embora diversa, explica-se pela proximidade do Oceano Atlântico.

A distribuição mensal dos rumos dos ventos denota fortes variações ao longo do ano. Assim, nos meses de Abril a Agosto, a importância dos quadrantes marítimos é evidente (WNW, NW), enquanto que nos restantes meses nota-se a predominância dos ventos do quadrante Este (ESE).

É ainda de referir que toda a Madalena apresenta uma boa exposição solar, naturalmente relacionada com a platitude da plataforma litoral e com os baixos declives desta área. As suas terras agrícolas estão ainda protegidas dos ventos oceânicos por uma frente florestada.

Ocupação do Solo
Sérgio Rodrigues

A ocupação do solo da freguesia da Madalena está repartida pela área urbanizada, pela agricultura, pela floresta e, junto ao litoral, por um sistema dunar.

A área construída tem vindo a aumentar significativamente nos últimos vinte anos, tendo sido destruídas as antigas quintas rurais e absorvidas as pequenas povoações que ainda se relacionavam com o espaço rural. Os antigos caminhos rurais foram, muitas vezes, transformados em ruas não preparadas nem dimensionadas para suportar o tráfego que actualmente possuem e constituindo fortes estrangulamentos ao desenvolvimento da Madalena.

Apesar do forte incremento da urbanização, existem ainda algumas áreas agrícolas, cada vez mais abandonadas. A área agrícola situa-se fundamentalmente nos fundos de vales. Nestes locais, os solos apresentam-se profundos, pois resultam da deposição dos aluviões fluviais. No entanto, neste momento apresentam-se relativamente poluídos, devido à prática de irrigação. A agricultura está voltada fundamentalmente para os produtos temporários, com especial realce para os produtos hortícolas, facto que se deve à sua inserção numa área urbana. É, no entanto, de salientar que o milho é um cereal com forte implantação na área, assim como os prados temporários, que substituem o milho nos meses de Outono e Inverno; sinal que a criação de gado ainda se verifica nesta área.

No que se refere à área florestal, é interessante notar que a diversidade é bastante elevada. Coexistem espécies tipicamente mediterrânicas com algumas que demonstram a influência do clima temperado marítimo. Este facto é o reflexo óbvio da área de transição climática em que a freguesia da Madalena se encontra. Para além destas espécies, existem algumas outras, introduzidas mais recentemente no nosso país e que contribuem fortemente para a degradação da floresta primitiva desta área.

Sendo assim, consideramos a existência de dois grandes tipos de formações vegetais, em função das espécies que as constituem e do seu maior ou menor interesse ecológico. É de interesse ecológico a preservação da área de pinheiro bravo (Pinus Pinaster), já que é um povoamento puro e localizado numa faixa paralela ao mar funcionando como protecção aos ventos marítimos. Também é de grande interesse a preservação do ecossistema dunar, no sentido de retardar o avanço do mar sobre a costa da Madalena.

As restantes formações vegetais, não possuem grande interesse ecológico, dado que são constituídas quase que exclusivamente por espécies exógenas.

Caracterização Geomorfológica. Litologia Tectónica
Sérgio Rodrigues

A freguesia da Madalena insere-se na plataforma litoral. Desenvolve-se em rochas do maciço antigo, que corresponde a um velho soco pré-câmbrico e hercínico, muito fracturado pelas diversas fases orogénicas, nomeadamente pela tectónica terciária e quaternária.

O substracto litológico em que assenta é essencialmente constituído por rochas graníticas e xistosas da era primária e por alguns depósitos quaternários, que assentam sobre as primeiras.

As rochas mais antigas pertencem ao complexo xisto-grauváquico, tendo sido afectadas pela orogenia hercínica que provocou o respectivo dobramento, acompanhado de metamorfismo e com desenvolvimento de xistosidade. Este complexo é considerado ante-ordovícico, já que assenta, em discordância estratigráfica, as séries do ordovícico, silúrico, devónico e carbónico.

O denominado granito do Porto é considerado um granito alcalino, em que a moscovite predomina claramente sobre a biotite. Apesar de ter sido, durante muitos anos, considerado como um granito ante-hercínico, actualmente é, em regra, englobado nos granitos hercínicos antigos, geralmente alcalinos, já que se integra dentro dos granitos de duas micas, ligados a migmatitos e a granitos de anatexia, que são contemporâneos da segunda fase hercínica (300 ± 10 M.A.).

Basicamente, esta é a estrutura geológica em que assenta a freguesia da Madalena, predominando, sem margem para dúvidas, as rochas xistosas.

No entanto, em alguns locais, estas rochas servem de suporte a algumas formações superficiais muito mais recentes, resultantes da dinâmica fluvio-marinha. Muito dos materiais que compõem estas formações terão tido origem nas formações antigas que compõem o velho soco pré-câmbrico e hercínico. Devido às suas características de resistência à meteorização, nomeadamente os quartzitos, estes materiais podem ter sido reutilizados por sucessivas gerações de depósitos, acabando por se encontrar a longas distâncias do seu local de jazida inicial. Deste modo, está-se imediatamente a admitir que sofreram transporte e, naturalmente, terá sido a rede hidrográfica da área o meio utilizado. No entanto, pela sua localização na plataforma litoral, o mar - em tempos mais recuados - terá tido uma importância muito grande na sua formação. De facto, o grau de rolamento que os componentes apresentam demonstra que muitos dos depósitos situados na freguesia da Madalena foram antigas praias, desactivadas pelo recuo do mar, recuo este que pode relacionar-se com levantamentos tectónicos da plataforma litoral ou com os recuos eustáticos motivados pelas glaciações quaternárias.

Actualmente, verifica-se uma transgressão marinha que tem vindo a causar vários problemas no litoral português, nomeadamente na área da freguesia da Madalena.

Em conclusão, pode afirmar-se que a morfologia actual reflecte, indubitavelmente, a dinâmica dos factores que intervieram ao longo dos tempos geológicos, nomeadamente, os factores climáticos, litológicos e tectónicos, com particular realce para os neotectónicos e ainda para a acção da rede hidrográfica.

Rede Hidrográfica
Sérgio Rodrigues

A rede hidrográfica da freguesia da Madalena é constituída por pequenos cursos de água que se desenvolvem na plataforma litoral e cuja dinâmica está extremamente dependente do nível de base oceânico.

Assim, durante a glaciação de Wurm, ter-se-á verificado uma forte transgressão marinha, que terá atingido cotas entre 100 a 120 metros abaixo do nível médio actual das águas do mar. Deste modo, a plataforma continental ficou parcialmente emersa, numa extensão que atingiu 37 Km a esta latitude.

Este facto, teve importantes repercussões no aprofundamento do talvegue destes pequenos cursos de água que, em alguns locais, apresentam um certo encaixe do vale. Este facto terá permitido uma acção erosiva forte, cuja principal consequência terá sido a remoção de parte dos materiais das praias levantadas que, à altura, deveriam constituir um depósito contínuo e que, actualmente, se encontram fortemente retalhados.

A partir do final da glaciação de Wurm, ter-se-á verificado o inicio de uma fase transgressiva que, naturalmente, não se terá verificado de uma forma contínua. Poderão ter ocorrido alguns recuos, nomeadamente, durante o final do tardiglaciar (11.000 BP) e em tempos históricos, na denominada pequena idade glaciar, que terá tido início no século XII, prolongando-se até meados do século XIX. Este facto pode explicar os fundos de vale aplanados que estes cursos de água actualmente possuem, colmatados por terrenos aluvionares, onde se desenvolvem solos profundos e férteis.

As bacias hidrográficas drenam uma pequena área e apresentam uma forma extremamente alongada. Este facto pode ser entendido como favorável, no que respeita ao controle das cheias. A baixa densidade de drenagem podia igualmente levar a pensar que as cheias destes rios não seriam muito significativas, já que o coeficiente de torrencialidade se apresenta baixo, pelo que a água de escorrência tem de percorrer grandes distâncias até atingir um talvegue, levando a que se verifique uma forte infiltração, o que é ainda ajudado pelos solos relativamente profundos existentes nesta área.

Apesar de todos estes factores desfavoráveis ao aparecimento de cheias, elas podem acontecer, já que os fundos de vale relativamente largos e de fracos declives (inferiores a 2º) podem ser propícios a este fenómeno e, ainda, pelo facto de a Madalena se localizar numa área de elevadas precipitações.

Existem ainda outros factores que, nas décadas mais recentes, têm contribuído para que se verifiquem inundações frequentes. O primeiro relaciona-se com a falta de limpeza no leito dos rios, onde crescem toda uma série de plantas que dificultam o escoamento dos caudais, assim como proliferam toda uma série de objectos estranhos à dinâmica fluvial e que se prendem com o lixo que o próprio homem produz (plásticos, electrodomésticos, etc.). Um outro factor prende-se com a forte urbanização que a área tem sofrido que, por um lado, impermeabiliza os solos e, por outro, facilita a escorrência superficial, facto que leva ao aumento dos caudais e a picos de cheias mais rápidos. Um outro factor, que contribui para o aumento dos caudais de uma forma generalizada ao longo de todo o ano, são os efluentes urbanos e industriais canalizados para os cursos de água. Este facto, tem ainda a grande desvantagem de ter poluído fortemente, quer as águas dos leitos fluviais, quer todos os antigos canais que eram utilizados na irrigação dos campos.